sábado, 30 de agosto de 2008

UM BRINDE À CLARICE LISPECTOR...

O QUE TEMOS FEITO?


Olhe para todos a seu redor
e veja o que temos feito de nós.
Não temos amado, acima de todas as coisas.
Não temos aceito o que não entendemos
porque não queremos passar por tolos.

Temos amontoado coisas, coisas e coisas,
mas não temos um ao outro.
Não temos nenhuma alegria que já não esteja catalogada.
Temos construído catedrais, e ficado do lado de fora,
pois as catedrais que nós mesmos construímos,
tememos que sejam armadilhas.

Não nos temos entregue a nós mesmos,
pois isso seria o começo de uma vida larga e nós a tememos.
Temos evitado cair de joelhos diante do primeiro de nós
que por amor diga: tens medo.

Temos organizado associações e clubes sorridentes
onde se serve com ou sem soda.
Não temos adorado por termos a sensata mesquinhez
de nos lembrarmos a tempo dos falsos deuses.

Não temos sido puros e ingênuos
para não rirmos de nós mesmos
e para que no fim do dia possamos dizer
"pelo menos não fui tolo"
e assim não ficarmos perplexos antes de apagar a luz.

Temos sorrido em público do que não sorriríamos
quando ficássemos sozinhos.
Temos chamado de fraqueza a nossa candura.
Temo-nos temido um ao outro, acima de tudo.

Temos procurado nos salvar, mas sem usar a palavra salvação
para não nos envergonharmos de ser inocentes.
Não temos usado a palavra amor para não termos de reconhecer
sua contextura de ódio, de ciúme
e de tantos outros contraditórios.

Temos mantido em segredo a nossa morte
para tornar nossa vida possível.
Muitos de nós fazem arte
por não saber como é a outra coisa.

Temos disfarçado com falso amor a nossa indiferença,
sabendo que nossa indiferença é angústia disfarçada.
Temos disfarçado com o pequeno medo o grande medo maior
e por isso nunca falamos o que realmente importa.

Falar no que realmente importa é considerado uma gafe.
E a tudo isso consideramos a vitória nossa de cada dia."

( Clarice Lispector )

Fonte: http://amovavida.spaces.live.com/blog/cns!2525416091B1A35D!1460.entry

sábado, 19 de julho de 2008

UM BRINDE A GUIMARÃES ROSA

Como não ter Deus?!
Com Deus existindo, tudo dá esperança:
sempre um milagre é possí­vel, o mundo se resolve.
Mas, se não tem Deus,
há-de a gente perdidos no vai-vem, e a vida é burra.
É o aberto perigo das grandes e pequenas horas,
não se podendo facilitar, é todos contra os acasos.
Tendo Deus, é menos grave se descuidar um pouquinho,
pois no fim dá certo.


Fonte: http://www.pensador.info/p/poemas_que_falam_da_mulher_por_guimaraes_rosa/1/

domingo, 22 de junho de 2008

UM BRINDE A JAMELÃO


http://blogdamartabellini.blogspot.com/2008/06/jamelo.html


Casa Grande E Senzala

Pretos escravos e senhores
Pelo mesmo ideal irmanados
A desbravar
Os vastos rincões
Não conquistados
Procurando evoluir
Para unidos conseguir
A sua emancipação
Trabalhando nos canaviais
Mineração e cafezais

Antes do amanhecer
Já estavam de pé

Nos engenhos de açúcar
Ou peneirando o café

Nos campos e nas fazendas
Lutaram com galhardia
Consolidando a sua soberania
E esses bravos
Com ternura e amor
Esqueciam as lutas da vida
Em festas de raro esplendor
Nos salões elegantes
Dançavam sinhás donas e senhores
E nas senzalas os escravos
Dançavam batucando os seus tambores

Louvor
A este povo varonil

Que ajudou a construir
A riqueza do nosso Brasil

http://www.webletras.com.br/musica/jamelao/casa-grande-e-senzala

domingo, 30 de março de 2008

UM BRINDE À LUDMILA FERBER

O PODER DE UMA ALIANÇA - Ludmila Ferber

Antes das honras e das conquistas
O amigo está conosco
O amigo sabe quem a gente é

O amigo sabe o nível das batalhas que nós temos
O amigo sabe o nível dos limites que rompemos
O amigo fica firme ao conhecer nossa fraqueza
O amigo está presente para nos fortalecer

O amigo está lá quando a dor é violenta
O amigo está lá e vê a força da tormenta
O amigo fica junto e permanece assim, de pé
Conhecendo as nossas crises e nos sustentando em fé

O poder de uma aliança como essa
Inabalável é
Deus constrói nosso caráter bem dessa maneira
Inabalável diante das lutas
Inabalável e fiel
Inabalável apesar das diferenças
Inabalável, inabalável e fiel
Fiel...

terça-feira, 23 de outubro de 2007

UM BRINDE Á FERNANDO PESSOA

"Poema do amigo aprendiz
Quero ser teu amigo.
Nem demais e nem de menos.
Nem tão longe e nem tão perto.
Na medida mais precisa que eu puder.

Mas amar-te sem medida e ficar na tua vida,
Da maneira mais discreta que eu souber.
Sem tirar-te a liberdade, sem jamais te sufocar.
Sem forçar tua vontade.
Sem falar, quando for hora de calar.
E sem calar, quando for hora de falar.

Nem ausente, nem presente por demais.
Simplesmente, calmamente, ser-te paz.

É bonito ser amigo, mas confesso é tão difícil aprender!
E por isso eu te suplico paciência.
Vou encher este teu rosto de lembranças,
Dá-me tempo, de acertar nossas distâncias..."

Fernando Pessoa

domingo, 16 de setembro de 2007

UM BRINDE À CHARLES CHAPLIN

Já perdoei erros quase imperdoáveis,
Tentei substituir pessoas insubstituíveis
E esquecer pessoas inesquecíveis.

Já fiz coisas por impulso, já me decepcionei com pessoas
Quando nunca pensei me decepcionar,
Mas também decepcionei alguém.

Já abracei pra proteger, já dei risada quando não podia,
Fiz amigos eternos, amei e fui amado,
Mas também já fui rejeitado, fui amado e não amei.

Já gritei e pulei de tanta felicidade,
Já vivi de amor e fiz juras eternas,
“quebrei a cara muitas vezes”!

Já chorei ouvindo música e vendo fotos,
Já liguei só para escutar uma voz,
Me apaixonei por um sorriso,

Já pensei que fosse morrer de tanta saudade
E tive medo de perder alguém especial (e acabei perdendo).

Mas vivi, e ainda vivo!Não passo pela vida…
E você também não deveria passar! Viva!

Bom mesmo é ir à luta com determinação,
Abraçar a vida com paixão,
perder com classe e vencer com ousadia,
Porque o mundo pertence a quem se atreve
E a vida é “muito” pra ser insignificante.

Charles Chaplin